Nutrientes importantes na gestação



A gravidez é um período de intenso desenvolvimento fetal, bem como de adaptação fisiológica do corpo da gestante. Durante essa fase, uma dieta variada é essencialmente importante, pois a ingestão adequada de macro e micronutrientes afeta diretamente a gravidez, a lactação e o desenvolvimento adequado do feto, sendo a primeira etapa de programação metabólica nos primeiros mil dias de vida da criança.


Deficiências nutricionais são comuns entre mulheres em idade reprodutiva em países de baixa e média renda, e tendem a ser intensificadas com a gravidez. Nesse contexto, todos os nutrientes são importantes, entretanto ferro, vitaminas B12 e D, ácido fólico, cálcio, ômega 3 e proteínas merecem maior atenção, pois apresentam demandas adicionais devido ao desenvolvimento fetal e as alterações fisiológicas da gestação.


A anemia durante a gravidez pode ser causada por carências de ferro e vitamina B12, e está associada ao aumento do risco de mortalidade materna, mortalidade perinatal e bebês com baixo peso ao nascer.


O ácido fólico exerce papel fundamental no processo de multiplicação celular, sendo imprescindível durante a gravidez, ele interfere no aumento dos eritrócitos, no alargamento do útero e no crescimento da placenta e do feto. A suplementação periconcepcional (no mínimo 1 mês antes do planejamento da gestação) e durante o primeiro trimestre de gravidez reduz o risco de ocorrência de defeitos do tubo neural.


Com isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) atualmente recomenda a suplementação de ferro e ácido fólico para mulheres durante a gravidez como parte dos cuidados pré-natais de rotina.


Alguns países adotaram como intervenção a suplementação de diversos micronutrientes para prevenir carências nutricionais, porém quando vitaminas e minerais são suplementados sem observar as individualidades de cada gestante, há o risco de má absorção de alguns nutrientes ou toxicidade para o feto e a pessoa que gesta. Por isso é importante o acompanhamento com um profissional da saúde capacitado para prescrever tais suplementações.


Além da suplementação, uma alimentação variada rica em vegetais é essencial nessa fase do desenvolvimento, o que corrobora com a recomendação da American Dietetic Association afirmando que uma dieta baseada em alimentos vegetais, integrais e naturais é segura também nas fases de gestação e lactação. Além da segurança, há menor risco de ganho de peso excessivo e diabetes gestacional.


Embora muitas vezes sejam chamadas de incompletas, proteínas de alimentos vegetais contêm todos os aminoácidos essenciais em diferentes proporções que se complementam entre si. Os alimentos mais ricos em proteínas no reino vegetal são as leguminosas: feijão, grão de bico, lentilhas, favas, ervilhas, soja e seus derivados (tofu, tempeh e leite de soja). É interessante manter o consumo de alimentos desse grupo, assim como tubérculos, cereais, legumes, frutas, oleaginosas e gorduras (priorizar azeite, abacate e linhaça).


É importante deixar as leguminosas de molho em média 12 horas antes do cozimento, para reduzir antinutrientes que atrapalham a absorção de ferro e zinco, assim como consumir uma porção de frutas ricas em vitamina C para otimizar a absorção do ferro dos alimentos.


Embora o baixo nível de vitamina D não seja a única causa de depressão, está correlacionado com a etiologia e manifestação da doença. Por isso, é preciso avaliar os níveis séricos de Vitamina D nas gestantes para reduzir o risco de complicações. Apesar de alguns alimentos conterem quantidades pequenas de vitamina D, a alimentação tem pouca influência no seu status, dependendo majoritariamente de exposição solar e suplementação para manter níveis adequados de vitamina D no organismo.


Em relação ao ômega 3, é recomendada suplementação de DHA de microalgas durante a gestação e a lactação até a introdução alimentar da criança aos seis meses de idade, onde é possível obter ômega-3 de alimentos como óleo de linhaça, por exemplo.


As evidências científicas apoiam o efeito de ferro, ácido fólico e outros nutrientes favorecendo menor incidência de baixo peso ao nascer e partos prematuros. Tanto a suplementação como a alimentação exercem papéis fundamentais na saúde materno infantil, favorecendo o máximo potencial cognitivo, motor e social da criança.


Nutricionista Valkiria Assis

CRN-3 71936/P


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